Acompanho o canal Diolinux e sou fã do conteúdo, mas isso não significa que eu concorde com todos os pontos de vista apresentados. Recentemente, ao assistir a um vídeo (https://youtu.be/UUJrN4nWm6Q?si=dKTwyAo7q-g802uy), surgiu uma divergência.
A frase que me chamou a atenção foi: ‘Acredito que as lições estão lá para quem quiser aprender, basta observar o mundo e você aprende muita coisa’. Abaixo, detalho o porquê de eu pensar diferente.
Temos essa mania quase incurável de querer que o universo seja um professor particular. A gente quebra a cara e logo pergunta: “O que eu deveria aprender com isso?”. Mas a verdade nua e crua é que a vida não tem um plano de aula estruturado.
Existem dias que são apenas intervalos vazios. Existem perdas que não trazem sabedoria, apenas saudade. Existem erros que não são “livramentos”, são apenas erros.
Aceitar que nem tudo é uma lição é o maior sinal de maturidade. É entender que a vida não está tentando te ensinar nada quando chove no dia da sua festa; ela está apenas sendo vida, seguindo o curso indiferente das nuvens.
Por que isso é bom? Porque tira o peso das nossas costas. Se nem tudo é lição, você não precisa ser o “aluno nota dez” o tempo todo. Você pode apenas sentir, viver o momento ruim (ou o morno) e deixar que ele passe, sem a obrigação de sair dali com um diploma de superação na mão.
O autor do livro de Eclesiastes (tradicionalmente o Rei Salomão), reflete sobre como a vida não é uma meritocracia pedagógica.
“Trabalhos sem recompensa
¹¹ Vi ainda debaixo do sol que os mais rápidos nem sempre ganham a corrida, que os mais fortes nem sempre vencem a batalha, que os sábios nem sempre têm pão, que os prudentes nem sempre têm riqueza, que os inteligentes nem sempre são honrados, mas que tudo depende do tempo e do acaso. ¹² Pois ninguém sabe a sua hora. Assim como os peixes que são apanhados na rede traiçoeira e como os pássaros que são pegos na armadilha, assim também os filhos dos homens se enredam no tempo da calamidade, quando esta cai de repente sobre eles.” — Eclesiastes 9:11-12
A Excelência como Resposta ao Caos
Se a vida é “vaidade” (ou névoa, como diz Eclesiastes), fazer o bem e trabalhar com excelência é uma forma de criar ordem no meio da desordem. É o que o próprio Eclesiastes sugere um pouco antes de falar do “tempo e o acaso”:
“Tudo o que vier às suas mãos para fazer, faça-o conforme as suas forças, porque na sepultura, que é para onde você vai, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” — Eclesiastes 9:10
O “Melhor” Possível, não o “Melhor” Perfeito
Muitas vezes, a gente se cobra um desempenho heróico. Mas, se a vida é só a vida, o seu melhor também pode ser adaptável. Tem dias que o seu melhor é conquistar o mundo; tem dias que o seu melhor é apenas conseguir levantar da cama e ser gentil com alguém.
“Meu compromisso é com a entrega sincera do que tenho hoje. Se o aprendizado vier, ótimo. Se não vier, sigo em paz sabendo que não fui indiferente à minha própria existência.“
Existem vinhos que são feitos para o frescor imediato: vibrantes, leves e solares. Assim como certas fases da vida, eles trazem a alegria do agora. No entanto, há vinhos, e mulheres, que pertencem à categoria das safras raras. São aquelas que o tempo não desgasta, mas sim esculpe.
O Aroma e a Essência
Um vinho não revela suas notas de corpo logo no primeiro contato. É preciso deixá-lo respirar. Com as mulheres, a lógica é a mesma. A superfície pode ser elegante, mas a verdadeira profundidade aparece quando o “oxigênio” da confiança entra em cena. É aí que surgem as notas de especiarias, a doçura escondida ou o toque terroso da resiliência.
O Equilíbrio entre Tanino e Suavidade
O segredo de um grande rótulo está no equilíbrio. Se for muito suave demais, falta-lhe caráter; se for muito tânico, torna-se difícil. A mulher fascinante transita por esse mesmo espectro: possui a firmeza necessária para se impor (o tanino) e a delicadeza que convida ao descanso (a suavidade). Ela é uma experiência sensorial completa que não se explica, apenas se sente.
O Legado do Tempo
Ao contrário do mito de que o tempo é um inimigo, para ambos, ele é um mestre. Os anos trazem a complexidade que a juventude ainda não conhece. Uma mulher que “envelhece como um bom vinho” não está apenas preservada; ela está potencializada. Cada marca e cada vivência são como as camadas de sabor de um vinho de guarda: tornam o conjunto final algo impossível de ser replicado.
Fomos ensinados que precisamos de 30 dias “desligados” para recarregar. Mas e se o segredo da produtividade e da sanidade mental não for uma longa pausa, mas sim um ritmo diário inegociável?
O mito do “interruptor geral”
Existe uma fantasia coletiva que alimentamos durante onze meses do ano: a imagem idílica (maravilhosa, perfeita, ideal) de nós mesmos numa praia deserta, com o celular desligado, sem e-mail, sem Slack (está falindo), sem WhatsApp, sem Instagram, sem responsabilidades. Acreditamos piamente que esse “reset” de 30 dias é a cura para o nosso esgotamento e a chave para voltarmos renovados.
Mas, sejamos honestos. Como você se sente no primeiro dia de volta ao trabalho após um longo período parado? Renovado? Ou você se sente lento, confuso, lutando contra uma névoa mental espessa, como se tivesse esquecido como operar a própria rotina?
A verdade dura que ninguém te conta no RH é: o ser humano não foi feito para férias longas.
Não fomos projetados biologicamente para períodos extensos de inatividade total. Nosso cérebro, essa máquina complexa viciada em padrões, não interpreta uma longa pausa como “descanso”; ele interpreta como um sinal para começar a desmontar as conexões neurais que você lutou tanto para construir.
A inércia é uma força brutal
Quando você “desliga” por semanas, você não está apenas descansando o corpo. Você está perdendo o ritmo. É como um atleta de elite que decide passar um mês inteiro sentado no sofá comendo fast-food. O retorno aos treinos não será apenas difícil; será doloroso e propenso a lesões.
O filósofo e historiador Will Durant, resumindo o pensamento aristotélico, cravou uma das frases mais significativas sobre a natureza humana:
“Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”
Se a excelência é um hábito, a inércia também é. Ao quebrar radicalmente o hábito do trabalho sério e focado, você está ativamente cultivando o hábito da desconexão. E o cérebro adora economizar energia; ele vai preferir o estado de repouso. Voltar a engrenar exige um gasto energético monumental que poderia ser evitado.
O antídoto filosófico: Cultivar o próprio jardim
Há uma visão romantizada de que o trabalho é um castigo bíblico, e que o estado natural do homem é o ócio. Mas a filosofia nos mostra que o trabalho — o esforço focado e com propósito — é essencial para a nossa saúde mental.
Em “Cândido, ou O Otimismo”, Voltaire nos leva numa jornada por todas as desgraças do mundo, para terminar com uma conclusão simples e poderosa:
“Devemos cultivar o nosso jardim.”
Voltaire entendia que o trabalho nos salva de três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade. Quando paramos por muito tempo, abrimos a porta para o tédio existencial. Precisamos do atrito do desafio diário para nos sentirmos vivos e úteis (sou prova viva disso).
A alternativa: O micro-ciclo diário
A proposta aqui não é defender o burnout ou a cultura do trabalho 24/7. Longe disso. O descanso é vital. Mas a abordagem “tudo ou nada” é falha.
A verdadeira sustentabilidade não está em trabalhar até a exaustão para depois descansar até o tédio. O segredo está no ritmo diário.
Eu acredito firmemente que todo dia deve conter dois elementos inegociáveis:
Trabalho sério e profundo: Um período onde você gera valor real, focado, sem distrações. Onde você “cultiva seu jardim”.
Relaxamento genuíno: No mesmo dia, um período de desconexão real. Não é ficar rolando o feed do Instagram (que também é trabalho para o cérebro), mas sim lazer ativo, leitura, tempo de qualidade com a família.
É um ciclo de carregar e descarregar a bateria a cada 24 horas, não a cada 12 meses.
Não espere pelo “um dia”
Quando vivemos esperando pelas férias, a vida passa num borrão de espera. É a armadilha que o Pink Floyd descreveu magistralmente na música “Time”:
“Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way”
E então, a letra conclui brutalmente: “And then one day you find ten years have got behind you. No one told you when to run, you missed the starting gun.” (E então um dia você descobre que dez anos ficaram para trás. Ninguém te disse quando correr, você perdeu o tiro de largada).
Longas férias são, muitas vezes, essa espera glorificada. Uma fuga temporária de uma realidade que não construímos corretamente.
Em vez de sonhar com a fuga de 30 dias, construa uma vida da qual você não precise escapar. Mantenha o motor ligado, em marcha lenta se necessário, mas nunca desligue a chave completamente. Seu cérebro (e sua produtividade) agradecerão.
A música? Está logo aí abaixo.
Time
Fazendo qualquer coisa para preencher o tempo de um dia monótono Ticking away the moments that make up a dull day Desperdiça as horas de um jeito indiferente Fritter and waste the hours in an offhand way À toa em um terreno da sua cidade natal Kicking around on a piece of ground in your hometown Esperando que alguém ou algo lhe mostre o caminho Waiting for someone or something to show you the way
Cansado de ficar deitado sob a luz do Sol Tired of lying in the sunshine De ficar em casa para observar a chuva Staying home to watch the rain E você é jovem e a vida é longa And you are young and life is long E hoje há tempo para gastar And there is time to kill today
E então, um dia, você percebe que And then one day you find Dez anos ficaram para trás Ten years have got behind you Ninguém lhe disse quando correr No one told you when to run Você perdeu o tiro de largada You missed the starting gun
E você corre e corre para alcançar o Sol And you run and you run to catch up with the Sun Mas ele está se pondo But it’s sinking Ele está dando a volta até surgir atrás de você novamente Racing around to come up behind you again O Sol é o mesmo, de uma forma relativa The Sun is the same, in a relative way Mas você está mais velho But you’re older Com menos fôlego Shorter of breath E um dia mais próximo da morte And one day closer to death
Cada ano está ficando mais curto Every year is getting shorter Parece que nunca tem tempo Never seem to find the time Planos que ou não dão em nada Plans that either come to naught Ou se tornam meia página de linhas rabiscadas (oh, oh) Or half a page of scribbled lines (oh, oh)
Aguentar firme enquanto se sente um desespero silencioso Hanging on in quiet desperation É o jeito inglês de ser Is the English way O tempo passou, a música acabou The time is gone, the song is over Pensei que eu teria algo mais a dizer Thought I’d something more to say
A notícia da morte de Ozzy Osbourne me trouxe à mente um dos meus álbuns favoritos: Mob Rules, do Black Sabbath. Eu sei… Ozzy não está nos vocais nesse álbum, mas ele faz parte da minha lista de prediletos.
Ele já esteve na minha coleção tanto em vinil quanto em CD. Minha conexão com o disco começou por meio do filme Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), que assisti no Cine Vitória em Curitiba (que não existe mais). Fiquei impactado ao ouvir a faixa “The Mob Rules”, que fazia parte da trilha sonora.
Depois que comprei o vinil — com uma capa bem sinistra, aliás — percebi ainda mais a qualidade do heavy metal daquela banda fantástica, um estilo que, cabe destacar, eles ajudaram a definir no início dos anos 70.
Vale especialmente a pena curtir a minha faixa favorita: “Falling Off the Edge of the World” — que é uma das mais atmosféricas e poderosas da carreira com Ronnie James Dio.
Lançado em 4 de novembro de 1981, The Mob Rules marca o segundo álbum com Ronnie James Dio nos vocais e a estreia de Vinny Appice na bateria, após a saída de Bill Ward.
Destaques e Forças
Riff pesado e produção poderosa O álbum foi produzido por Martin Birch, que trouxe um som mais direto e agressivo do que em Heaven and Hell. Faixas como a título “The Mob Rules”, “Turn Up the Night” e “Sign of the Southern Cross” refletem bem essa pegada mais crua e intensa.
Variedade emocional e musical O álbum mescla sons agressivos (“Voodoo”), melodias densas (“Sign of the Southern Cross”) e até atmosferas melancólicas, como em “Over and Over” — considerada por muitos fãs como destaque emocional do álbum.
Reavaliação positiva ao longo do tempo Críticos contemporâneos, como os da AllMusic, passaram a considerá-lo “subestimado”, embora apontem falhas na sequência de faixas que remete muito diretamente ao formato de Heaven and Hell.
Pontos de Crítica
Semelhança com o álbum anterior A fórmula de The Mob Rules espelha Heaven and Hell de forma muito próxima — tanto no estilo musical quanto na estrutura de faixa — o que gerou críticas à época por falta de inovação.
Problemas internos na banda A produção foi prejudicada por abuso de álcool e drogas entre os membros (inclusive o produtor), e relatos apontam que fogos de ego e tensões internas reduziram o aproveitamento de material potencialmente excelente.
Veredito Final
The Mob Rules é um álbum intenso e atmosférico, com uma produção poderosa e riffs impactantes — talvez não tão memorável quanto Heaven and Hell, mas ainda assim extremamente sólido. Com Ronnie James Dio mais assertivo nos vocais e uma banda em modo agressivo e urgente, o disco entrega:
Grandes faixas como “Sign of the Southern Cross” e “Over and Over”;
Uma sonoridade mais crua e pesada;
Uma experiência sonora que ressoa com quem aprecia heavy metal com densidade emocional.
Se você gosta da era Dio do Black Sabbath, este álbum definitivamente merece um lugar de destaque. Nota minha: 9/10.
Nota sobre Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne faleceu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, após batalha com a doença de Parkinson. Houve um concerto de despedida em 5 de julho de 2025, em Birmingham, com a formação original do Black Sabbath. Ele ainda se apresentou sentado, devido à fraqueza física, pouco antes de sua partida.
Em um mundo que valoriza a inovação e a juventude, profissionais com mais de 50 ou 60 anos frequentemente enfrentam dificuldades para se recolocar no mercado de trabalho. Apesar da experiência, maturidade e habilidades bem desenvolvidas, muitos são preteridos em processos seletivos em favor de candidatos mais jovens. Esse fenômeno, conhecido como ageísmo (discriminação por idade), não apenas prejudica carreiras sólidas, mas também priva as empresas de conhecimentos valiosos.
Falei acima sobre “processos seletivos”, mas na verdade isso é uma farsa, pois esses profissionais sequer são chamados para uma entrevista, um teste, ou qualquer coisa que envolva um “processo seletivo”.
Neste post, vou discutir os desafios enfrentados por esses profissionais, os mitos que os cercam e como empresas e candidatos podem reverter esse cenário.
Por Que Profissionais Maduros São Deixados de Lado?
Vários fatores contribuem para a exclusão de trabalhadores mais experientes:
Estereótipos Enraizados – Muitos empregadores acreditam, erroneamente, que profissionais mais velhos são:
Menos adaptáveis à tecnologia.
Menos dispostos a aprender coisas novas.
Mais propensos a faltar por questões de saúde.
Cultura Organizacional Voltada para Jovens – Empresas de tecnologia e startups, por exemplo, muitas vezes priorizam perfis jovens, associando-os a dinamismo e inovação, ignorando que profissionais maduros trazem estabilidade e sabedoria estratégica. Acrescento que, as “startaps”, de forma geral, são criadas, gerenciadas, administradas por quem tem menos de 30 anos. A insegurança em lidar com pessoas mais velhas é enorme, como se essas pessoas estivessem querendo tomar seus lugares, quando na verdade só querem contribuir.
Medo de Custos Maiores – Há um mito de que contratar profissionais experientes significa salários mais altos e planos de saúde mais caros, o que nem sempre é verdade. Arrisco dizer que, raramente, isso é verdade.
Falta de Políticas de Diversidade Etária – Enquanto diversidade de gênero e raça ganha espaço, a inclusão etária ainda é negligenciada. Vou citar o caso dos mercados: normalmente colocam as pessoas com mais idade para empacotamento, tipo, “estou cumprindo uma cota”
O Que os Profissionais com Mais de 50 Anos Têm a Oferecer?
A experiência acumulada por décadas no mercado é um ativo inestimável. Esses profissionais trazem:
✅ Resiliência e maturidade emocional – Sabem lidar melhor com pressão e conflitos. ✅ Visão estratégica – Conseguem antecipar problemas e propor soluções baseadas em vivência. ✅ Comprometimento – Tendem a ser mais leais e menos propensos a trocar de emprego com frequência.
Como Reverter Esse Cenário?
Para as Empresas:
Conscientização contra o ageísmo – Treinar recrutadores para evitar vieses inconscientes.
Valorizar competências, não idade – Focar no que o profissional pode entregar, não em quantos anos tem.
Programas de mentoria – Profissionais experientes podem treinar equipes mais jovens, criando um ambiente de troca.
Para os Profissionais Maduros:
Atualização constante – Cursos, certificações e domínio de ferramentas digitais mostram adaptabilidade.
Empreendedorismo – Muitos optam por abrir seu próprio negócio, usando sua experiência como diferencial. O problema aqui é sempre o mesmo, a falta de dinheiro para investir, pois, provavelmente, o dinheiro foi gasto durante os períodos de um emprego, procura de um novo emprego, etc.
Conclusão
Ignorar profissionais com mais de 50 anos é um desperdício de talento e conhecimento. Em um mercado que clama por inovação, a verdadeira mudança está em valorizar a diversidade em todas as suas formas – incluindo a experiência que só o tempo traz.
Empresas que souberem aproveitar esse potencial terão times mais equilibrados e resultados mais consistentes. E profissionais maduros, por sua vez, devem continuar demonstrando seu valor, mostrando que competência não tem idade.
E você, já enfrentou ou presenciou situações de ageísmo no trabalho? Compartilhe sua experiência nos comentários!
Hoje vi a capa de um dos meus álbuns favoritos no perfil de uma amiga, a Paula Depp, e fui instantaneamente transportado ao passado, lembrando o quanto curti (e ainda curto!) esse álbum.
Estava na minha coleção, tanto em vinil quanto em CD, além de ter também o VHS do filme. Álbum duplo — algo realmente raro. É, sem dúvida, uma obra-prima do grupo.
Quem se deixar levar pelas letras (e pelo filme) pode sentir uma certa carga depressiva. Mas é nota 10. Vale a pena ouvir e assistir.
The Wall é uma ópera-rock monumental e ambiciosa que encara temas pesados como isolamento, alienação, trauma e autoritarismo através da história de “Pink”, uma estrela do rock que constrói um muro psicológico ao seu redor.
Pontos Positivos:
Conceito Profundo e Narrativa Coesa: A estrutura do álbum — com falas, efeitos sonoros e padrões musicais recorrentes — confere uma fluidez narrativa muito envolvente. Um exemplo é a mensagem “Isn’t this where we came in?”, que indica o ciclo interminável de trauma de Pink. Faixas Icônicas: “Comfortably Numb” é frequentemente citada como um dos grandes momentos de guitarra de David Gilmour, amplamente elogiada por críticos . Já “Another Brick in the Wall, Part 2” tornou-se um hino global — chegando ao topo das paradas em vários países. Produção Cinematográfica e Estrutural: Combina rock, orquestrações, narrações e efeitos sonoros — helicópteros, aplausos, passos — criando uma paisagem sonora teatral que transcende o formato típico de álbum.
Pontos a Considerar:
Atmosfera Densa e Desconfortável: É um álbum perturbador e sombrio — repleto de imagens chocantes e momentos tensos, como a parada militar com temática fascista. Longe de um ouvido fácil, é uma experiência emocionalmente exaustiva. Recepção Inicial Controverso: Na época, críticos ficaram divididos; alguns consideraram a obra grandiosa, outros acharam o excesso narrativo e teatral cansativo.
O que penso?
Um álbum que merece ser ouvido com atenção — prepare-se para sentir emoções diferentes, talvez até um aperto no peito. Mas é absolutamente essencial na sua playlist.
Antes de apresentar o álbum, gostaria de compartilhar uma reflexão que tive entre a primeira e a segunda parte deste texto. Ao falar em álbuns musicais, percebo que, infelizmente, as novas gerações talvez nunca experimentem essa forma de apreciar música. Atualmente, o consumo se dá principalmente por músicas individuais, e raramente se visita uma loja para escolher um álbum completo. Para muitos de nós, isso tinha um valor especial, pois envolvia momentos em que precisávamos fazer escolhas entre um álbum e outro. Essa experiência proporcionava uma conexão mais profunda com a música e com o artista, algo que parece estar se perdendo na era das playlists e do streaming.
Oxygène, lançado em 1976, é amplamente reconhecido como um marco na música eletrônica, consolidando Jean-Michel Jarre como um dos pioneiros do gênero. Este álbum instrumental é composto por seis partes interligadas que criam uma paisagem sonora coesa e envolvente.
Pontos Positivos:
Inovação Sonora: Jarre utilizou uma variedade de sintetizadores analógicos, como o ARP 2600 e o EMS VCS 3, para criar texturas sonoras ricas e atmosféricas que eram revolucionárias para a época. Composição Coesa: As seis partes de Oxygène fluem de forma contínua, proporcionando uma experiência auditiva imersiva que transporta o ouvinte por diferentes estados emocionais. Impacto Cultural: O álbum não apenas alcançou sucesso comercial, vendendo milhões de cópias mundialmente, mas também influenciou profundamente o desenvolvimento da música eletrônica e inspirou inúmeros artistas subsequentes.
Pontos Negativos:
Recepção Inicial Mista: Embora hoje seja celebrado, Oxygène enfrentou críticas mistas em seu lançamento, especialmente no Reino Unido, onde a cena punk dominava e a música eletrônica ainda era vista com ceticismo. Estilo Contemplativo: A natureza instrumental e atmosférica do álbum pode não agradar a todos, especialmente aqueles que preferem músicas com estruturas mais tradicionais ou vocais.
O que penso?
O álbum é uma viagem sensorial. É o tipo de música para você ouvir deitado no chão do seu quarto ou da sala, com fones de ouvido, no escuro. Só viaje na música.
Gosto de música, qualquer tipo de música, desde que represente um momento da minha vida, que tenha um significado mínimo.
Nesta série de artigos que vou postar aqui, dedicarei um tempo (meu e seu) para falar sobre ÁLBUNS que fazem parte da minha história.
Vou começar com uma história…
O ano é 1982. Chego a Curitiba (PR), vindo de São Caetano do Sul (SP). Sinto-me sozinho, sem meus amigos, sem a segurança de conhecer o que está ao meu redor.
Aos poucos, vou descobrindo a cidade e encontro um lugar fantástico: uma loja de discos (vinil) na Galeria Júlio Moreira, ao lado do Teatro TUC. Mas não era uma loja qualquer — era um lugar diferente. Havia discos que só se encontravam ali.
Além de raridades e lançamentos inusitados, eu podia fazer pedidos ao dono: “Quero algo parecido com isso ou aquilo”, “Quero essa ou aquela banda”. Depois de algumas semanas, o álbum estava lá, à minha espera.
É importante lembrar que, naquela época, nem celular tínhamos. Internet? Não existia. Portanto, as novidades só chegavam para quem ia atrás delas.
Foi nessa loja que iniciei minha coleção de álbuns — da qual me arrependo amargamente de ter me desfeito. Comecei com vinis, que mais tarde foram substituídos por CDs.
Nos próximos artigos, falarei um pouco sobre os álbuns que marcaram minha vida.
Eles não estão em ordem cronológica; apenas escolhi apresentá-los assim.
Jean-Luc Ponty, um dos mais icônicos violinistas do jazz fusion, lançou Mystical Adventures em 1982, consolidando sua reputação como um dos pioneiros da fusão entre jazz, rock progressivo e música eletrônica. O álbum apresenta uma sonoridade etérea e altamente técnica, combinando sintetizadores, violino elétrico e grooves complexos que evocam uma sensação de exploração cósmica.
Pontos positivos:
Virtuosismo e Inovação – Ponty usa o violino elétrico com efeitos e camadas sintetizadas que criam uma paisagem sonora rica e envolvente. Composições Dinâmicas – Faixas como Mystical Adventures (Suite, Part 1-5) demonstram sua habilidade em construir temas que se desenvolvem de forma cinematográfica. Atmosfera Espacial – A influência da música eletrônica é forte, especialmente no uso dos sintetizadores, o que dá um toque futurista ao álbum.
Pontos negativos:
Produção Característica da Época – Para alguns ouvintes modernos, os timbres de sintetizador podem soar datados, típicos do início dos anos 80. Menos Acessível para Ouvintes Casuais – O álbum pode ser mais apreciado por fãs de jazz fusion e progressivo, mas pode parecer hermético para quem não está acostumado com o gênero.
O que eu penso?
O álbum me transporta de volta aos anos de 1982/1983. Uma das músicas, em particular, me remete à minha busca por selos para minha coleção nas bancas de jornal de Curitiba. É impressionante como a memória funciona – âncoras emocionais extremamente fortes.
Já se passaram 11 dias do ano 2025, e ainda estou refletindo sobre como cheguei até aqui.
O ano de 2024 foi muito diferente, tão diferente que alterou completamente o rumo da minha vida. Foi um ano cheio de dificuldades, novidades, desafios e mudanças de comportamento. Mas foi também um ano muito bom. Senti-me “vivo”, útil, e resgatado em minha dignidade como ser humano e trabalhador.
Contudo, 2024 foi mais do que isso. Não foi apenas um ano de “coisas”, mas um ano de “gente”. Um ano repleto de pessoas que, talvez sem perceber, fizeram uma grande diferença na minha vida.
Em casa, vivi momentos incríveis com o sucesso dos meus filhos e o amor da minha esposa. Pude rever minha filha depois de alguns anos fora, acompanhar o desempenho do meu filho na universidade e no trabalho, e, como sempre, estar ao lado da Railda, que é uma constante certeza de sucesso e parceria.
Com os amigos, nem sempre nos encontramos para rir; às vezes, foi para chorar, e isso também foi valioso. Afinal, nesses momentos, pudemos nos abraçar e sermos abraçados.
Mas o que realmente fez a maior diferença em 2024 foi o trabalho. Radicalmente diferente de tudo o que vivi até hoje, ele me permitiu perceber o quanto “gente” faz diferença na minha vida e, mais ainda, o quanto eu posso fazer diferença na vida de outras pessoas, seja apenas ouvindo, seja executando meu trabalho com responsabilidade e respeito.
Novas pessoas surgiram no meu caminho. Pessoas muito diferentes entre si, cada uma contribuindo com seu pedaço de transformação no Eliseu que existia até 2023.
A esperança (sempre ela) me inspira a desejar um 2025 ainda melhor — ou, ao menos, tão especial quanto 2024.
Um grande, enorme abraço a todos que fizeram parte desse meu ano tão especial.
Não conseguiria citar todos individualmente, mas vou ilustrar com fotos. Afinal: “A fotografia, em sua essência, possui o poder de eternizar instantes fugazes. Ao congelar o tempo, revela a beleza oculta nas pequenas frações de segundos. É nessa capacidade de pausar a realidade que reside a magia e o encanto da fotografia.”
“Então Samuel pegou uma pedra e a pôs entre Mispa e Sem. E lhe deu o nome de Ebenézer, dizendo: — Até aqui nos ajudou o Senhor.” – 1 Samuel 7:12
Em um mundo em constante mudança, onde a busca incessante por significado e felicidade nos acompanha como uma sombra, surge a pergunta: o que nos mantém vivos e felizes? Para muitos, a resposta reside no sucesso dos descendentes. E eu sou um desses.
A esperança de que nossos filhos e netos tenham uma vida melhor, repleta de realizações e conquistas, nos motiva a seguir em frente, mesmo nos momentos mais desafiadores.
O sucesso dos descendentes representa a concretização de nossos sonhos e valores, a materialização de nosso legado no mundo. Através deles, podemos continuar a viver, mesmo após a partida, deixando um rastro de memórias e ensinamentos que moldarão as próximas gerações.
Mas afinal, o que é o sucesso dos descendentes?
O conceito de sucesso é individual e pode variar de acordo com a cultura, valores e crenças de cada família. No entanto, alguns aspectos são recorrentes:
Saúde e bem-estar: A saúde física e mental dos descendentes é fundamental para que eles possam aproveitar ao máximo a vida e alcançar seus objetivos.
Educação e conhecimento: A educação abre portas para oportunidades e permite que os descendentes desenvolvam todo o seu potencial.
Realização profissional: Encontrar um trabalho que seja gratificante e contribua para a sociedade é essencial para a felicidade e o senso de propósito.
Relacionamentos saudáveis: Construir relações sólidas e positivas com familiares, amigos e parceiros é fundamental para o bem-estar emocional.
Contribuição para a sociedade: Deixar um impacto positivo no mundo, seja através do trabalho, da arte, da ciência ou de qualquer outra forma, é um dos maiores objetivos que podemos alcançar.
Como podemos contribuir para o sucesso dos descendentes?
Oferecer amor, apoio e orientação: Criar um ambiente familiar seguro e acolhedor, onde os descendentes se sintam amados, apoiados e incentivados a perseguir seus sonhos.
Ensinar valores e princípios: Transmitir valores éticos e morais que os guiarão na tomada de decisões e na construção de seu caráter.
Proporcionar educação de qualidade: Investir na educação dos descendentes é a chave para que eles tenham acesso a melhores oportunidades na vida.
Incentivar a autonomia e a responsabilidade: Ensinar os descendentes a serem responsáveis por suas ações e a tomar decisões conscientes.
Ser um exemplo positivo: Mostrar aos descendentes, através de suas próprias ações, como viver uma vida ética, honesta e gratificante.
É importante lembrar que o sucesso não se resume apenas a conquistas materiais ou profissionais. O verdadeiro sucesso reside na construção de uma vida plena, com significado e propósito, onde a felicidade e o bem-estar individual se entrelaçam com o bem-estar da comunidade.
Ao investir no sucesso dos descendentes, investimos em um futuro melhor para toda a humanidade.
Acompanho o canal Diolinux e sou fã do conteúdo, mas isso não significa que eu concorde com todos os pontos de vista apresentados. Recentemente, ao assistir a um vídeo (https://youtu.be/UUJrN4nWm6Q?si=dKTwyAo7q-g802uy), surgiu uma divergência. A frase que me chamou a atenção … leia mais
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