Gosto de música, qualquer tipo de música, desde que represente um momento da minha vida, que tenha um significado mínimo.
Nesta série de artigos que vou postar aqui, dedicarei um tempo (meu e seu) para falar sobre ÁLBUNS que fazem parte da minha história.
Vou começar com uma história…
O ano é 1982. Chego a Curitiba (PR), vindo de São Caetano do Sul (SP). Sinto-me sozinho, sem meus amigos, sem a segurança de conhecer o que está ao meu redor.
Aos poucos, vou descobrindo a cidade e encontro um lugar fantástico: uma loja de discos (vinil) na Galeria Júlio Moreira, ao lado do Teatro TUC. Mas não era uma loja qualquer — era um lugar diferente. Havia discos que só se encontravam ali.
Além de raridades e lançamentos inusitados, eu podia fazer pedidos ao dono: “Quero algo parecido com isso ou aquilo”, “Quero essa ou aquela banda”. Depois de algumas semanas, o álbum estava lá, à minha espera.
É importante lembrar que, naquela época, nem celular tínhamos. Internet? Não existia. Portanto, as novidades só chegavam para quem ia atrás delas.
Foi nessa loja que iniciei minha coleção de álbuns — da qual me arrependo amargamente de ter me desfeito. Comecei com vinis, que mais tarde foram substituídos por CDs.
Nos próximos artigos, falarei um pouco sobre os álbuns que marcaram minha vida.
Eles não estão em ordem cronológica; apenas escolhi apresentá-los assim.
O primeiro é:

Jean-Luc Ponty – Mystical Adventures (1982)
Jean-Luc Ponty, um dos mais icônicos violinistas do jazz fusion, lançou Mystical Adventures em 1982, consolidando sua reputação como um dos pioneiros da fusão entre jazz, rock progressivo e música eletrônica. O álbum apresenta uma sonoridade etérea e altamente técnica, combinando sintetizadores, violino elétrico e grooves complexos que evocam uma sensação de exploração cósmica.
Pontos positivos:
Virtuosismo e Inovação – Ponty usa o violino elétrico com efeitos e camadas sintetizadas que criam uma paisagem sonora rica e envolvente.
Composições Dinâmicas – Faixas como Mystical Adventures (Suite, Part 1-5) demonstram sua habilidade em construir temas que se desenvolvem de forma cinematográfica.
Atmosfera Espacial – A influência da música eletrônica é forte, especialmente no uso dos sintetizadores, o que dá um toque futurista ao álbum.
Pontos negativos:
Produção Característica da Época – Para alguns ouvintes modernos, os timbres de sintetizador podem soar datados, típicos do início dos anos 80.
Menos Acessível para Ouvintes Casuais – O álbum pode ser mais apreciado por fãs de jazz fusion e progressivo, mas pode parecer hermético para quem não está acostumado com o gênero.
O que eu penso?
O álbum me transporta de volta aos anos de 1982/1983. Uma das músicas, em particular, me remete à minha busca por selos para minha coleção nas bancas de jornal de Curitiba. É impressionante como a memória funciona – âncoras emocionais extremamente fortes.